Por Dra. Raquel Delgado Souza · Pediatra e pneumologista infantil · CRM-SP 130672 · RQE 63808 / 638081.
Muitos pais chegam ao consultório perguntando: “Existe vacina para alergia?”
A resposta é: sim — mas não é como as vacinas tradicionais da infância.
A imunoterapia é um tratamento específico para quem tem alergia confirmada e sintomas persistentes. Diferente dos antialérgicos, que aliviam os sintomas, ela atua na raiz do problema: a resposta exagerada do sistema imunológico.
O que muda com a imunoterapia?
Enquanto os medicamentos convencionais controlam a crise, a imunoterapia busca reduzir a sensibilidade ao longo do tempo. Os benefícios possíveis incluem:
- Menos sintomas
- Menor necessidade de medicação contínua
- Redução de crises
- Mais estabilidade respiratória
Ela não é um tratamento rápido — é uma estratégia planejada para médio e longo prazo.
Quando considerar?
A imunoterapia pode ser uma opção quando:
- A rinite é persistente e interfere na qualidade de vida
- A asma tem componente alérgico bem definido
- Persistem sintomas de rinite apesar do tratamento adequado
- O alérgeno identificado é compatível com os sintomas e há indicação clínica
Mas é importante reforçar: nem toda alergia precisa de imunoterapia. A indicação depende de avaliação individualizada e da relação entre sintomas e sensibilização ao alérgeno. Teste positivo isolado não basta. Asma não controlada contraindica iniciar imunoterapia; não suspenda o tratamento habitual por conta própria.

Como é feita?
Pode ser aplicada por injeções periódicas ou por via sublingual (gotas ou comprimidos), dependendo do caso. O acompanhamento é essencial para avaliar resposta e segurança.
A melhora costuma ser progressiva — e o benefício se consolida ao longo dos anos de tratamento.
Por que a avaliação especializada é importante?
Porque imunoterapia não é “começar e ver se funciona”.
Ela exige diagnóstico correto, definição precisa do alérgeno e planejamento terapêutico adequado.
Quando bem indicada, pode mudar o curso da doença alérgica.
Quando mal indicada, não traz benefício.
O ponto central
A imunoterapia não substitui o cuidado básico — ela complementa uma estratégia bem estruturada de controle ambiental e tratamento clínico.
A resposta varia conforme a indicação, o produto utilizado e a adesão. Benefícios e riscos precisam ser discutidos antes do início.
Referência para leitura
EAACI — Imunoterapia na asma alérgica por ácaros, 2019. Conteúdo educativo; a avaliação e o tratamento dependem de cada criança.
Avaliação em Santo André
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